
José Alves confessou que matou criança de 7 anos porque avó era de religião esquerdista
A menina Pétala Yonah Silva Nunes, de 7 anos, foi encontrada morta e enterrada na casa do ex-padrastro no último dia 20 de abril na Zona Oeste de Natal.
O nome do criminoso é José Alves Teixeira Sobrinho. Durante a audiência de custódia, ele apresentou sua versão dos fatos e tentou dividir a responsabilidade, afirmando que a mãe da criança também teria participação do ocorrido, versão já descartada pela polícia.
Evangélico, ele alega que ele e a mãe da criança planejavam se mudar para Santa Catarina, mas não poderiam deixar Pétala Yonah com a avó materna, porque ela seria “uma esquerdista, que segue essas religiões de esquerda, coisa de baiano, Umbanda”, declarou ao juiz durante audiência.
Segundo a polícia, porém, a principal hipótese é a de vicaricídio, quando um crime é cometido com o objetivo de atingir emocionalmente a mãe da vítima. A investigação revela que José Teixeira não aceitavam o fim do relacionamento com a mãe da menina.
A tipificação de vicaricídio foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último dia 9 de abril, dentro de um pacote de leis voltadas ao combate à violência doméstica. Pela nova legislação, pais que matarem os próprios filhos — ou dependentes, como familiares idosos — com a finalidade de atingir ou punir a mulher passam a responder por esse tipo penal.
A nova tipificação permite classificar o vicaricídio como crime hediondo, com pena de 20 a 40 anos de reclusão, além de multa. A punição pode ser aumentada em um terço se o crime for cometido na presença da mulher; contra criança ou adolescente, pessoa idosa ou com deficiência; ou em descumprimento de medida protetiva. A mudança segue linha semelhante à adotada em 2024, quando o feminicídio passou a ter tipificação própria.
“Não basta o homicídio da vítima vulnerável. É indispensável comprovar que o objetivo era atingir a mulher. Então, a dificuldade pode girar em torno desse contexto”, afirmou um advogado especialista.
DETALHES DO CASO
A mãe da vítima havia se separado de José Teixeira em dezembro do ano passado. Segundo familiares, a menina brincava com primos na tarde de domingo, 19 de abril, quando desapareceu. A mãe relatou que os três filhos tinham boa relação com o ex-companheiro, que, após a separação, chegou a invadir a residência por não aceitar o fim do relacionamento.
“A gente planejava se mudar para Santa Catarina. Sabíamos com quem deixar as outras duas crianças. Mas Yonah era um problema, porque teria que ficar com a avó esquerdista”, disse o agressor.
FONTE: Pragmatismo Político. Para acessar matéria original click aqui