Brasileiros nos Estados Unidos pedem ajuda ao presidente Lula

por Felipe Borges

Brasileiros que migraram para os Estados Unidos “em busca de uma vida melhor” têm recorrido ao governo brasileiro para pedir ajuda consular e, em muitos casos, para retornar ao país. O movimento ganhou força nas últimas semanas diante do avanço de operações federais de imigração associadas ao governo Trump, marcadas por abordagens agressivas, mortes de civis e um ambiente de hostilidade generalizada contra estrangeiros — inclusive aqueles em situação legal.

A situação é particularmente tensa em Minneapolis, no estado de Minnesota, onde uma operação conduzida por agentes federais de imigração desencadeou protestos em todo o país após resultar na morte de cidadãos americanos. O clima de apreensão se espalhou rapidamente pela cidade e atingiu de forma direta comunidades imigrantes, entre elas a brasileira, que passou a buscar informações, apoio jurídico e orientação consular diante do aumento das detenções e da sensação de insegurança cotidiana.

Segundo relatos, influenciadores, agentes e grupos de extrema-direita que dão suporte ao governo Trump têm tratado estrangeiros de forma indistinta como figuras indesejadas, criando um ambiente no qual até imigrantes regularizados relatam medo de circular livremente. O receio não se limita à possibilidade de deportação, mas envolve abordagens arbitrárias, uso excessivo da força e a violação de garantias constitucionais.

O endurecimento das políticas migratórias

A professora de Direitos Humanos e cônsul honorária do Brasil em Minnesota, Kathya Cibelle Dawe, que vive nos Estados Unidos há 16 anos, descreve um cenário que rompe com padrões mínimos de previsibilidade institucional. Segundo ela, o medo “vai além de quem não tem documentos” e afeta famílias inteiras, trabalhadores presenciais e estudantes.

“Existe uma tensão permanente. Pessoas que sempre circularam livremente agora pensam duas ou três vezes antes de sair de casa”, afirma. Dawe relata que redes de solidariedade passaram a se formar entre imigrantes e também entre cidadãos americanos, como resposta ao aumento das ações federais.

A operação em Minneapolis foi justificada oficialmente como uma resposta a supostas fraudes em programas sociais envolvendo comunidades somalis. No entanto, Dawe ressalta que esse tipo de investigação não é atribuição principal do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). Na prática, afirma, o que se tem observado são detenções em massa e ações violentas que culminaram na morte de civis, como Renee Good e Alex Pretti.

Mortes, abusos e violações legais

Nos primeiros dias de 2026, ao menos oito pessoas morreram em confrontos com agentes federais ou sob custódia do ICE, segundo levantamento de veículos internacionais, em meio a protestos e tensões crescentes em cidades como Minneapolis. Os casos se somam ao recorde de 32 mortes sob custódia do ICE em 2025 — o maior número em mais de duas décadas, de acordo com organizações que monitoram detenções relacionadas à imigração.

Brasileiros entre o medo e a solidariedade

O impacto sobre a comunidade brasileira tem sido direto. Segundo a cônsul honorária, aumentou de forma significativa o número de contatos de brasileiros em pânico após parentes ou amigos serem detidos e transferidos para centros de detenção em estados como Texas e Louisiana. A transferência constante dificulta a localização dos detidos e o acesso de familiares e advogados.

“Muitos brasileiros estão pedindo ajuda para renovar documentos ou até mesmo para voltar ao Brasil, porque simplesmente não veem mais segurança em ficar aqui”, relata.

Ao mesmo tempo, surgem respostas que contrastam com o clima de medo imposto pelas operações federais. Em Minneapolis, grupos comunitários organizam mutirões para arrecadar alimentos, oferecer apoio jurídico e auxiliar imigrantes que evitam sair de casa.

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