{"id":198,"date":"2019-11-15T14:47:01","date_gmt":"2019-11-15T17:47:01","guid":{"rendered":"https:\/\/slz612.com.br\/?p=198"},"modified":"2019-11-15T14:49:16","modified_gmt":"2019-11-15T17:49:16","slug":"nova-york-maranhense-que-nao-quer-desaparecer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/slz612.com.br\/index.php\/2019\/11\/15\/nova-york-maranhense-que-nao-quer-desaparecer\/","title":{"rendered":"Nova York maranhense, a cidade que n\u00e3o quer sumir do mapa"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_199\" style=\"width: 385px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-199\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-199\" src=\"https:\/\/slz612.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/109652311_4e9548a3-ce18-4475-87fc-fc73007b1009.jpg\" alt=\"\" width=\"375\" height=\"258\" srcset=\"https:\/\/slz612.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/109652311_4e9548a3-ce18-4475-87fc-fc73007b1009.jpg 375w, https:\/\/slz612.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/109652311_4e9548a3-ce18-4475-87fc-fc73007b1009-300x206.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 375px) 100vw, 375px\" \/><p id=\"caption-attachment-199\" class=\"wp-caption-text\">Moradores se despedindo da cidade antes da inunda\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>A primeira das devasta\u00e7\u00f5es de Nova Iorque, que teme ser extinta pelo governo Bolsonaro junto de outros munic\u00edpios pequenos sem arrecada\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria relevante, aconteceu quando a localidade tinha outro nome e nem chegava a ser uma cidade maranhense.<\/p>\n<p>Em 1839, a ent\u00e3o fazenda Sussuapara sumiu das proximidades do porto das Almas depois que o dono da propriedade foi morto durante a Balaiada, revolta popular de camponeses pobres, ind\u00edgenas e negros escravizados contra opressores pol\u00edticos e econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>Tr\u00eas d\u00e9cadas depois, uma pedra no meio do caminho do rio Parna\u00edba daria in\u00edcio \u00e0 hist\u00f3ria oficial de Nova Iorque. Depois de desobstruir o tr\u00e1fego fluvial a pedido do Imp\u00e9rio, o engenheiro americano Edward Burnet decidiu ficar por l\u00e1 mesmo.<\/p>\n<p>Construiu sua casa de telhas e fundou uma vila, que seria batizada em homenagem a sua terra natal em 1890, ano de emancipa\u00e7\u00e3o da vizinha Pastos Bons.<\/p>\n<p>Em 1925, Nova Iorque sofreria a primeira de suas tr\u00eas destrui\u00e7\u00f5es: a Coluna Prestes incendiou os arquivos p\u00fablicos (e assim os registros escritos), saqueou estabelecimentos comerciais, quebrou o tel\u00e9grafo, invadiu casas e abateu bois. Apenas tr\u00eas fam\u00edlias nova-iorquinas tiveram coragem de ficar em suas resid\u00eancias, segundo relata a Enciclop\u00e9dia dos Munic\u00edpios Brasileiros, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>No ano seguinte, nova ru\u00edna. Um temporal duradouro levou \u00e0 tamanha inunda\u00e7\u00e3o que a cidade inteira se mudou morro acima. A &#8220;Nova Nova Iorque&#8221; seria reconstru\u00edda pelos habitantes com suas 13 ruas, tr\u00eas pra\u00e7as e disposi\u00e7\u00f5es das casas iguais, tudo para garantir que os vizinhos continuassem os mesmos.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1960, a cidade seria inundada novamente, agora pelo lago artificial da hidrel\u00e9trica de Boa Esperan\u00e7a. A despedida foi marcada por missa, prociss\u00e3o e um hino que falava em &#8220;Serei teu vizinho\/ Morrerei sozinho\/ E n\u00e3o te vejo mais&#8221;.<\/p>\n<p>O maior dos traumas, relatam moradores da \u00e9poca, foi deixar para tr\u00e1s familiares enterrados no cemit\u00e9rio local. Segundo os relatos, apenas o corpo da milagreira Mariquinha Fonfon foi exumado e transferido para o novo cemit\u00e9rio.<\/p>\n<p>Casas submersas deram lugar a conjuntos habitacionais de fachadas semelhantes. &#8220;Tinha neguinho que n\u00e3o acertava nem com a casa. Ele chegava e entrava na minha, entrava na casa do outro, todo perdido sabe?&#8221;, conta um dos moradores no livro\u00a0Nossa, Nova Nova Iorque, do historiador Helen Lopes. Desta vez, a distribui\u00e7\u00e3o aleat\u00f3ria dos moradores for\u00e7ou uma ressocializa\u00e7\u00e3o massiva entre novos vizinhos.<\/p>\n<p>O temor mais recente de Nova Iorque surgiu na semana passada com o nome de PEC do Pacto Federativo, proposta de emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o feita pelo governo Bolsonaro que inclui a extin\u00e7\u00e3o de todos os munic\u00edpios com menos de 5.000 habitantes que tenham menos de 10% de receita pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>&#8220;Fiquei estarrecida, indignada, triste. O maior problema que enfrentamos no Brasil, no Maranh\u00e3o e em Nova Iorque \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o de renda. O governo pretende reduzir repasses federais quando, na verdade, deveria aument\u00e1-los. N\u00f3s precisamos de pessoas que nos ajudem, n\u00e3o de pessoas que nos tirem do mapa&#8221;, afirmou \u00e0 BBC News Brasil a prefeita Mayra Ribeiro Guimar\u00e3es, filiada ao mesmo partido do presidente Bolsonaro, PSL.<\/p>\n<p>Com 4.590 habitantes, Nova Iorque \u00e9 uma das mais cidades mais antigas dentre as 1.217 amea\u00e7adas pela proposta. Segundo a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Munic\u00edpios (CNM), a cidade maranhense arrecada apenas 1,3% de sua receita corrente l\u00edquida total, parte gra\u00e7as ao turismo em torno da praia do Caju, na barragem que inundou a &#8220;Velha Nova Iorque&#8221;.<\/p>\n<p>A proposta gerou rea\u00e7\u00e3o indignada de prefeitos, mas foi defendida parcialmente por uma parcela dos estudiosos de emancipa\u00e7\u00f5es municipais.<\/p>\n<p>Para especialistas, uma eventual redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de munic\u00edpios n\u00e3o deveria levar em conta apenas dois indicadores, um fiscal e outro demogr\u00e1fico, mas diversos outros, como oferta de servi\u00e7os p\u00fablicos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e dist\u00e2ncia dos distritos \u00e0 sede administrativa municipal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira das devasta\u00e7\u00f5es de Nova Iorque, que teme ser extinta pelo governo Bolsonaro junto de outros munic\u00edpios pequenos sem arrecada\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria relevante, aconteceu quando a localidade tinha outro nome e nem chegava a ser uma cidade maranhense. 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