{"id":1412,"date":"2020-10-03T07:47:56","date_gmt":"2020-10-03T10:47:56","guid":{"rendered":"https:\/\/slz612.com.br\/?p=1412"},"modified":"2020-10-02T11:55:00","modified_gmt":"2020-10-02T14:55:00","slug":"mobilidade-urbana-e-as-implicacoes-em-tempos-de-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/slz612.com.br\/index.php\/2020\/10\/03\/mobilidade-urbana-e-as-implicacoes-em-tempos-de-pandemia\/","title":{"rendered":"Mobilidade urbana e as implica\u00e7\u00f5es em tempos de pandemia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_1413\" style=\"width: 870px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1413\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-1413\" src=\"https:\/\/slz612.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/mobilidade-urbana.jpg\" alt=\"\" width=\"860\" height=\"570\" srcset=\"https:\/\/slz612.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/mobilidade-urbana.jpg 860w, https:\/\/slz612.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/mobilidade-urbana-300x199.jpg 300w, https:\/\/slz612.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/mobilidade-urbana-768x509.jpg 768w, https:\/\/slz612.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/mobilidade-urbana-453x300.jpg 453w\" sizes=\"(max-width: 860px) 100vw, 860px\" \/><p id=\"caption-attachment-1413\" class=\"wp-caption-text\">A mobilidade urbana \u00e9 um dos principais temas a ser discutido e resolvido no pa\u00eds<\/p><\/div>\n<p>Por Luis Fernando Amato Louren\u00e7o e Julio Barboza Chiquetto*<\/p>\n<p><span class=\"wpsdc-drop-cap\">E<\/span>m anos recentes, o deslocamento urbano j\u00e1 vinha experimentando diversas modifica\u00e7\u00f5es devido a inova\u00e7\u00f5es como o uso de novos aplicativos de deslocamento, compartilhamento de ve\u00edculos, mais op\u00e7\u00f5es de micromobilidade e novas concep\u00e7\u00f5es e ideias sobre o pr\u00f3prio planejamento urbano. Atualmente, com o advento da pandemia de covid-19, a mobilidade urbana volta a estar no centro das discuss\u00f5es sobre o meio ambiente urbano, na medida em que as principais recomenda\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) para evitar o cont\u00e1gio e achatar a curva das contamina\u00e7\u00f5es passam necessariamente pela pr\u00e1tica do isolamento social e de se evitar aglomera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A mobilidade urbana \u00e9 uma quest\u00e3o multidimensional, pois mede n\u00e3o s\u00f3 o acesso a bens e servi\u00e7os, mas as conex\u00f5es entre as pessoas e sua rela\u00e7\u00e3o com a cidade, que desdobra diariamente nas \u00e1reas de circula\u00e7\u00e3o urbana, motivada por diversos conflitos de interesse. Al\u00e9m disso, n\u00e3o se pode prescindir da associa\u00e7\u00e3o com a quest\u00e3o ambiental, sendo os ve\u00edculos automotivos a principal fonte de poluentes do ar danosos \u00e0 sa\u00fade nas grandes cidades. A chegada de severas restri\u00e7\u00f5es ao deslocamento urbano devido \u00e0 pandemia imp\u00f5e uma camada adicional de complexidade a essa quest\u00e3o e nos coloca algumas quest\u00f5es fundamentais: quais os impactos do isolamento social no deslocamento dos variados grupos populacionais? Quais as consequ\u00eancias sociais e ambientais da restri\u00e7\u00e3o dessas atividades? Quais modelos de mobilidade urbana podem ser pensados para a nova realidade das cidades no contexto do p\u00f3s-pandemia?<\/p>\n<h3>Efeitos decorrentes<\/h3>\n<p>A partir da segunda quinzena de mar\u00e7o de 2020 as principais cidades do Pa\u00eds come\u00e7aram a adotar medidas de isolamento social em fun\u00e7\u00e3o do aumento das taxas de infec\u00e7\u00e3o por Sars-Cov-2. Isto levou \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o abrupta da mobilidade nas grandes \u00e1reas metropolitanas (figura 1).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-359258\" src=\"https:\/\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20201001_gr%C3%A1fico.jpg\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"https:\/\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20201001_gr\u00e1fico.jpg 800w, https:\/\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20201001_gr\u00e1fico-300x158.jpg 300w, https:\/\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20201001_gr\u00e1fico-768x403.jpg 768w, https:\/\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20201001_gr\u00e1fico-364x191.jpg 364w\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"420\" data-id=\"359258\" \/><\/p>\n<p>Os impactos na mobilidade urbana t\u00eam fortes consequ\u00eancias socioecon\u00f4micas, log\u00edsticas e ambientais, principalmente no transporte p\u00fablico coletivo. Os segmentos mais vulner\u00e1veis da popula\u00e7\u00e3o vivem em \u00e1reas perif\u00e9ricas percorrendo maiores dist\u00e2ncias para ter acesso \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica, educa\u00e7\u00e3o, trabalho e lazer. Cerca de 228 mil pessoas acima de 50 anos de idade e de baixa renda, habitantes das 20 maiores cidades do Brasil, est\u00e3o a mais de 30 minutos de caminhada at\u00e9 uma unidade de sa\u00fade, onde podem realizar o processo de triagem e encaminhamento dos casos suspeitos de covid-19. Considerando este mesmo grupo populacional, 1,6 milh\u00e3o de pessoas moram a mais de cinco quil\u00f4metros de carro at\u00e9 hospitais com estrutura para a interna\u00e7\u00e3o de pacientes (dados de 2020 do Ipea). Embora seja indicado que a popula\u00e7\u00e3o procure diretamente unidades de triagem em casos suspeitos, h\u00e1 um hist\u00f3rico de procura direta pela popula\u00e7\u00e3o a hospitais de refer\u00eancia.<\/p>\n<p>A configura\u00e7\u00e3o das cidades n\u00e3o reflete uma homogeneidade necess\u00e1ria para garantir o acesso aos espa\u00e7os e servi\u00e7os urbanos igualmente para todo os setores populacionais. A popula\u00e7\u00e3o de baixa renda, al\u00e9m de normalmente residir em regi\u00f5es perif\u00e9ricas e mais distantes dos servi\u00e7os (como a sa\u00fade), depende mais do transporte p\u00fablico em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de maior renda. Diversos estudos mostram que os usu\u00e1rios de \u00f4nibus est\u00e3o mais expostos a viagens mais longas e, portanto, tamb\u00e9m \u00e0 polui\u00e7\u00e3o do ar. A exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica \u00e0 polui\u00e7\u00e3o do ar \u00e9 um fator de risco para muitas das doen\u00e7as cr\u00f4nicas (como doen\u00e7as respirat\u00f3rias, card\u00edacas, asma, diabetes) amplamente relatadas na literatura cient\u00edfica. Al\u00e9m disso, altas concentra\u00e7\u00f5es de poluentes atmosf\u00e9ricos afetam as defesas naturais do corpo contra v\u00edrus transmitidos pelo ar, tornando as pessoas mais propensas a contrair doen\u00e7as virais.<\/p>\n<p>Por estes motivos \u00e9 poss\u00edvel postular que a popula\u00e7\u00e3o urbana exposta a altas concentra\u00e7\u00f5es de poluentes possui maiores riscos de mortalidade associados \u00e0 covid-19. Um estudo da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de Harvard demonstra que o incremento de 1 \u00b5g\/m3 de MP2,5 est\u00e1 associado a um aumento de 8% na taxa de mortalidade por covid-19. Al\u00e9m disso, no Brasil, carros particulares ocupam cerca de 60% do total dos espa\u00e7os vi\u00e1rios, mas transportam apenas 20% da popula\u00e7\u00e3o. Esta despropor\u00e7\u00e3o entre uso dos espa\u00e7os urbanos, efici\u00eancia no transporte e emiss\u00e3o\u00a0<em>per capita<\/em>\u00a0de poluentes, entre outras, \u00e9 um forte sinal de injusti\u00e7a ambiental nos grandes centros urbanos. De acordo com a Figura 1, as viagens por carros particulares foram as que menos apresentaram queda devido aos efeitos do isolamento social em compara\u00e7\u00e3o aos outros modais \u2013 o que \u00e9 facilmente compreens\u00edvel devido \u00e0 maior facilidade para se manter o isolamento nas viagens por este modal. Uma vez que, durante a pandemia, a popula\u00e7\u00e3o de renda mais alta \u00e9 justamente a que consegue se deslocar de forma mais segura \u2013 sem a necessidade de se aglomerar no transporte p\u00fablico -, isto demonstra uma exacerba\u00e7\u00e3o da injusti\u00e7a ambiental nas quest\u00f5es de mobilidade urbana devido aos impactos da pandemia.<\/p>\n<p>Por outro lado, um efeito colateral positivo decorrente do isolamento social em diversas regi\u00f5es mundiais foi a diminui\u00e7\u00e3o das concentra\u00e7\u00f5es de poluentes atmosf\u00e9ricos, como o di\u00f3xido de nitrog\u00eanio (NO2), material particulado (MP) e mon\u00f3xido de carbono (CO) com base em dados espaciais de alta resolu\u00e7\u00e3o. Na cidade de Wuhan, epicentro inicial do surto, as taxas de NO2 ca\u00edram 22,8 \u00b5g\/m\u00b3 e as de MP2,5 diminu\u00edram em 1,44 \u00b5\/m\u00b3. Outras 367 cidades chinesas registraram, em m\u00e9dia, uma redu\u00e7\u00e3o de 18,9 \u00b5g\/m\u00b3 de MP2,5. Na Europa ocorreu no m\u00eas de abril de 2020 uma redu\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 40% nas emiss\u00f5es por di\u00f3xido de nitrog\u00eanio (NO2) e de 10% nos valores m\u00e9dios de material particulado. Al\u00e9m disso, estima-se que as emiss\u00f5es de CO2 ca\u00edram cerca de 17% ao redor do mundo.<\/p>\n<p>A cidade de S\u00e3o Paulo, que possui a maior frota veicular circulante no Pa\u00eds, registrou ap\u00f3s as primeiras semanas do isolamento social redu\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas de NO (at\u00e9 -77,3%), NO2 (at\u00e9 -54,3%) e CO (at\u00e9 -64,8%) comparados com anos anteriores. O estudo realizado por Nakada e Urban (2020) indica que as redu\u00e7\u00f5es observadas de poluentes na cidade de S\u00e3o Paulo n\u00e3o foram altamente determinadas por mudan\u00e7as nas condi\u00e7\u00f5es de dispers\u00e3o \u2013 o que poderia explicar, em parte, a diminui\u00e7\u00e3o desses poluentes. Em contraste, muitas regi\u00f5es no planeta registraram aumento das concentra\u00e7\u00f5es de oz\u00f4nio (O3), devido \u00e0 sua complexa qu\u00edmica atmosf\u00e9rica, o que tamb\u00e9m j\u00e1 foi observado em outros per\u00edodos e situa\u00e7\u00f5es com diminui\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de poluentes.<\/p>\n<p>De acordo com um estudo publicado pelo\u00a0<em>The Lancet<\/em>, realizado com dados de 272 cidades chinesas, a paralisa\u00e7\u00e3o das atividades na China e a decorrente redu\u00e7\u00e3o na polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica evitaram 8.911 mortes associadas ao NO2, e 3.214 mortes associadas ao material particulado. Estes n\u00fameros, baseados em estudos epidemiol\u00f3gicos internacionais, s\u00e3o mais altos do que a quantidade de mortes registradas por covid-19 no mesmo per\u00edodo (4.633), durante os 34 de quarentena (Chen et al, 2020). Outro efeito positivo decorrente das altera\u00e7\u00f5es de mobilidade nos centros urbanos foi a diminui\u00e7\u00e3o no n\u00famero de acidentes fatais veiculares, com queda de 28% no n\u00famero de acidentes e de 7% de mortes entre mar\u00e7o e abril no pa\u00eds todo. O Estado de S\u00e3o Paulo registrou em abril o menor n\u00famero de fatalidades associadas ao tr\u00e1fego veicular desde o in\u00edcio da sua s\u00e9rie hist\u00f3rica, em 2015.<\/p>\n<h3>Reflex\u00f5es para mobilidade urbana durante e p\u00f3s-covid-19<\/h3>\n<p>A circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus ap\u00f3s o per\u00edodo de isolamento social, provavelmente, ainda ocorrer\u00e1 at\u00e9 o desenvolvimento de uma vacina. Haver\u00e1 o retorno da circula\u00e7\u00e3o normal de pessoas utilizando modos de transporte coletivo (\u00f4nibus, trens e metr\u00f4 s\u00e3o respons\u00e1veis por 50% das viagens motorizadas no Pa\u00eds), portanto, urge considerar quais pol\u00edticas p\u00fablicas referentes \u00e0 mobilidade podem ser adotadas para que se evite uma nova onda da doen\u00e7a nos centros urbanos.<\/p>\n<p>O est\u00edmulo e a promo\u00e7\u00e3o de alternativas ao transporte coletivo motorizado podem mitigar os riscos de aglomera\u00e7\u00f5es. Neste \u00e2mbito, o transporte ativo como o ciclismo e caminhadas para percursos curtos deve ser priorizado. A cidade de Bogot\u00e1 implementou, como medida de mitiga\u00e7\u00e3o da covid-19, 76 quil\u00f4metros de ciclofaixas tempor\u00e1rias na cidade na tentativa de reduzir a lota\u00e7\u00e3o do transporte p\u00fablico. Al\u00e9m de se evitar aglomera\u00e7\u00f5es, a substitui\u00e7\u00e3o de viagens motorizadas pelo ciclismo \u00e9 uma estrat\u00e9gia fundamental para ajudar a lidar com a carga global de doen\u00e7as n\u00e3o transmiss\u00edveis (DNTs) devido aos muitos efeitos positivos da atividade f\u00edsica na sa\u00fade, al\u00e9m de promover in\u00fameros cobenef\u00edcios ambientais.<\/p>\n<p>Na cidade de S\u00e3o Paulo, o uso da bicicleta como meio de locomo\u00e7\u00e3o cresceu 24% de 2007 para 2017, passando de 304 para 377 mil viagens\/dia. Como est\u00edmulo ao uso, os servi\u00e7os de empr\u00e9stimo de bicicletas poderiam oferecer per\u00edodos de uso gratuito, maior quantidade de bicicletas e cobrindo \u00e1reas de atendimento mais amplas que as atuais. Em contraponto, esta solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o atende \u00e0 popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel que reside em zonas perif\u00e9ricas distantes e que realiza viagens longas ao trabalho. \u00c9 estimado que o tempo m\u00e9dio de viagens, em modo coletivo, seja de 60-61 minutos em rendas familiares de at\u00e9 R$ 3.816. Portanto, para estas popula\u00e7\u00f5es, \u00e9 necess\u00e1rio se pensar alternativas mais realistas.<\/p>\n<p>Neste ponto, a diminui\u00e7\u00e3o das dist\u00e2ncias entre trabalho e moradia adquire import\u00e2ncia fundamental, pois cerca de 45% das viagens totais s\u00e3o motivadas por trabalho (Pesquisa Origem-Destino, 2017). Uma vez que a maior dist\u00e2ncia percorrida leva a deslocamentos mais longos, elas tamb\u00e9m correspondem a maior exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 agentes ambientais e a maiores emiss\u00f5es de poluentes. Distribuir melhor as oportunidades de trabalho, reduzindo a necessidade de longos deslocamentos, nos abre a oportunidades de cobenef\u00edcios muito promissoras. Entre elas, podemos citar o menor tempo de exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 covid-19 e \u00e0 polui\u00e7\u00e3o do ar, ganhos em qualidade de vida e sa\u00fade mental, e o encorajamento do uso de transportes n\u00e3o motorizados, que s\u00e3o menos poluentes e garantem maior isolamento social e promovem a sa\u00fade (uma vez que deslocamentos mais curtos est\u00e3o fortemente associados ao transporte por bicicleta e caminhadas). Fundamentalmente, elas adquirem um car\u00e1ter de promo\u00e7\u00e3o de maior justi\u00e7a social e ambiental nos centros urbanos, principalmente num contexto p\u00f3s-pandemia. A\u00e7\u00f5es complementares, como o fomento a modos motorizados de micromobilidade, como patinetes eletr\u00f4nicos e scooters, podem operar em sinergia com a diminui\u00e7\u00e3o das dist\u00e2ncias.<\/p>\n<p>O trabalho via remoto, imposto pelo isolamento social, tem se mostrado como uma forma efetiva de se evitar o deslocamento desnecess\u00e1rio, contribuindo com a diminui\u00e7\u00e3o de pessoas nos transportes coletivos. Em contraponto, os segmentos da popula\u00e7\u00e3o que dependem totalmente do modal p\u00fablico coletivo possuem atualmente maior risco de exposi\u00e7\u00e3o ao v\u00edrus Sars-Cov-2, fato que evidencia claramente a injusti\u00e7a ambiental nas quest\u00f5es de mobilidade urbana nas grandes cidades brasileiras. Nesse sentido, a governan\u00e7a municipal \u00e9 fundamental, pois isso depende da articula\u00e7\u00e3o entre os setores produtivos e o poder p\u00fablico para a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de desenvolvimento urbano polic\u00eantrico.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos sistemas de transporte coletivos, estes inevitavelmente s\u00e3o ambientes de alto risco associados ao contato e transmiss\u00e3o do v\u00edrus em fun\u00e7\u00e3o do alto n\u00famero de pessoas confinadas em espa\u00e7os com circula\u00e7\u00e3o de ar limitada. Como diminuir os riscos de prolifera\u00e7\u00e3o e contamina\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<ul>\n<li>Deve-se garantir a execu\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de um ciclo de sanitiza\u00e7\u00e3o com subst\u00e2ncias que eliminem o v\u00edrus do ambiente interno (ex. pulveriza\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00e3o de per\u00f3xido de hidrog\u00eanio) como assentos, barras, al\u00e7as, filtros e dutos de ar. Devem ser preconizados procedimentos de higieniza\u00e7\u00e3o que garantam a prote\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a dos funcion\u00e1rios respons\u00e1veis pelos procedimentos de limpeza, com o fornecimento de EPIs adequados. Na China, est\u00e3o sendo utilizadas luzes ultravioleta como forma de elimina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus (99,9% de elimina\u00e7\u00e3o).<\/li>\n<li>Deve ser promovido o est\u00edmulo ao uso de hor\u00e1rios alternativos (deslocamentos fora dos hor\u00e1rios de pico).<\/li>\n<li>Disponibiliza\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool em gel e m\u00e1scaras de prote\u00e7\u00e3o facial para os usu\u00e1rios.<\/li>\n<li>Checagem de temperatura (term\u00f4metros infravermelhos, como exemplo ao que est\u00e1 sendo feito na China e em outros pa\u00edses).<\/li>\n<li>Restri\u00e7\u00e3o ao uso de papel moeda nas esta\u00e7\u00f5es de \u00f4nibus, trens e metr\u00f4s e ado\u00e7\u00e3o de cart\u00f5es individuais (carregamento em aplicativos e caixas de bancos) como vem sido feito na Alemanha, Nova Zel\u00e2ndia, Espanha e Indon\u00e9sia.<\/li>\n<\/ul>\n<p>* Pesquisadores do Instituto Estudos Avan\u00e7ados da USP<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/artigos\/a-vida-urbana-e-a-mobilidade-implicacoes-atuais-e-futuras-em-tempos-de-pandemia\/\">jornal.usp.br clique aqui para acessar o site<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Luis Fernando Amato Louren\u00e7o e Julio Barboza Chiquetto* Em anos recentes, o deslocamento urbano j\u00e1 vinha experimentando diversas modifica\u00e7\u00f5es devido a inova\u00e7\u00f5es como o uso de novos aplicativos de deslocamento, compartilhamento de ve\u00edculos, mais op\u00e7\u00f5es de micromobilidade e novas &hellip; <a href=\"https:\/\/slz612.com.br\/index.php\/2020\/10\/03\/mobilidade-urbana-e-as-implicacoes-em-tempos-de-pandemia\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/slz612.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1412"}],"collection":[{"href":"https:\/\/slz612.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/slz612.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/slz612.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/slz612.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1412"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/slz612.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1412\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1414,"href":"https:\/\/slz612.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1412\/revisions\/1414"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/slz612.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1412"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/slz612.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1412"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/slz612.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1412"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}